A ascensão e queda da construtora Haut, sediada no Recife, foi tema de uma reportagem publicada pelo site Marco Zero no dia 19 de junho de 2025. O texto investiga como uma empresa que conquistou rapidamente prestígio com propostas inovadoras e discurso urbano refinado passou a enfrentar uma série de problemas operacionais, jurídicos e financeiros, deixando obras paralisadas e clientes sem respostas. Fundada em 2016 por Thiago Monteiro, a empresa se destacou inicialmente por empreendimentos residenciais que combinavam sofisticação estética, inovação técnica e um discurso voltado à “civilidade urbana”. Os edifícios promoviam soluções como halls abertos, fachadas com jardins voltados à rua e áreas comuns integradas, buscando traduzir um ideal de vida urbana mais gentil e conectada aos espaços coletivos.
Essas características foram reforçadas por uma comunicação inspirada em referências de arquitetura contemporânea e urbanismo internacional. Projetos como piscinas nas varandas, lavanderias compartilhadas, coworkings por andar e até carros elétricos para uso comum integravam o imaginário proposto pela incorporadora. A Haut rapidamente ganhou visibilidade, alcançando clientes dispostos a investir em imóveis ainda na planta, impulsionados pela promessa de projetos autorais e alinhados a valores de sustentabilidade, inovação e urbanidade.
Com o tempo, no entanto, os problemas operacionais começaram a se acumular. Diversas obras foram paralisadas, muitas sem alvará, e canteiros abandonados passaram a ser motivo de preocupação para moradores e clientes. Houve registros de unidades com focos de mosquito da dengue, processos trabalhistas, ações cíveis e atrasos severos na entrega dos empreendimentos. Compradores que pagaram integralmente por seus imóveis relataram incertezas quanto à continuidade das obras e falta de comunicação clara por parte da empresa.
Em março de 2025, a empresa foi vendida ao engenheiro Marcelo Brandão por R$ 200 mil. Segundo ele, a Haut se encontrava em estado de falência técnica e sua equipe ainda avalia possibilidades para retomar as obras, seja por meio da própria empresa ou com apoio de outras construtoras. Até o momento, porém, os projetos seguem sem cronograma definido para conclusão. O caso da Haut ilustra os riscos envolvidos em modelos de incorporação com forte apelo conceitual, mas que enfrentam desafios concretos de gestão, execução e responsabilidade com os compradores.