O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reuniu nos dias 18 e 19 de junho de 2025 e decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, atingindo 15% ao ano, o nível mais elevado desde julho de 2006. Esta foi a sétima alta consecutiva — em uma sequência iniciada em setembro de 2024 — e tem como objetivo garantir que a inflação retorne ao intervalo de meta.
Na justificativa oficial, o Copom destacou que, embora a economia apresente sinais de desaceleração, ainda existe dinamismo no mercado de trabalho e na renda, além de indicadores de inflação — especialmente no segmento de serviços — persistentes acima das expectativas. Além disso, o cenário fiscal mais frouxo e o risco de pressões de preços geradas por incertezas internacionais reforçam a necessidade de manutenção de uma política monetária restritiva por mais tempo .
O Copom também considerou fatores globais que podem influenciar a inflação doméstica. Entre eles, mencionou as tensões geopolíticas envolvidas em conflitos no Oriente Médio, e os efeitos adversos de tarifas recentemente impostas pelo governo Trump nos EUA sobre produtos como aço, alumínio e eletrônicos. Essas medidas externas podem pressionar os custos de importação, gerar desvalorização cambial e causar novos choques inflacionários.
Mesmo adotando velocidade menor nos ajustes — a última alta havia sido de 0,50 ponto —, o Copom sinalizou uma possível pausa no ciclo para avaliar os efeitos acumulados das decisões anteriores. No entanto, manteve a postura cautelosa, afirmando que continuará vigilante e pronto para reajustar a Selic novamente, caso novos dados de inflação ou tensões externas justifiquem.
Com a elevação da Selic para 15%, o Banco Central reafirma seu compromisso com uma política monetária mais contracionista, reforçando o compromisso de domar a inflação sem desconsiderar a resiliência da economia, o dinamismo do mercado de trabalho e os riscos fiscais e externos. A expectativa é que essa postura permita ancorar as expectativas de preços, mesmo diante de um cenário internacional cada vez mais volátil.